VENDER REFINARIAS

Foto: Petrobrás

É básico nas relações internacionais que o grau de dependência, de inserção subserviente de um país no grande jogo dos países centrais, está diretamente relacionado à exportação de produtos de baixo valor agregado.

A conta é simples: exportar matéria-prima, semi-transformados, e commodities, é exportar empregos e valores a serem acumulados, transferir renda da periferia para o centro.

É essa a lógica do Golpe, para o Brasil e para a Petrobrás. Tocado pelo Capital Financeiro – matéria de capa do “Valor Econômico” desta quarta aponta que o lucro dos bancos, em 18, será ainda maior do que o previsto –, a decorrente acomodação entre os interesses dos que vivem de juros e os interesses dos países centrais é bastante natural.

Não há novidade aí. Apenas mais uma manifestação  da simbiose parasitária entre a classe dominante dos países centrais e a submissa e acéfala burguesia brasileira, que acredita ser tratada como igual por bem lamber as botas de quem manda, e sequer enxerga a desindustrialização.

O que há de novo é a forma, a desfaçatez, a completa falta de pudor da República dos “bundas-de-fora”, que sequer disfarça a cumplicidade entre os “gestores”, que vendem, e seus clientes e investidores, que compram. Os que tocam o desmanche industrial do Brasil integram um pequeno clube de amigos que, desavergonhados, não mais têm medo do Sol.

Mantido o desmanche – termo bem aplicado, porquanto usual na definição do destino de carros roubados –, a Petrobrás será em breve um escritório gerenciador da produção terceirizada de óleo bruto, e o Brasil transformado numa Nigéria, cada vez mais a exportar cru e a importar derivados.

E, com todo o respeito ao povo nigeriano, um país onde seja predominante uma economia primária, estará fadado à baixa institucionalidade, e a relações sociais semi-feudais.

Não há nada de acidental, nem mesmo de colateral, nesse resultado. Ele é planejado e bem urdido. Talvez apenas seus efeitos mais subjetivos – como o triste fato de se tornar moda ser escroto – sejam impensados.

Por fim, sobre a falência das instituições, é já o que ocorre, e se acentua, desde o Golpe de 16. Temer finge que governa, e apenas carimba atos, do alto de sua descartabilidade. O Congresso finge representar o povo, e prossegue em infinitas negociatas, a aprovar leis do século XIX. E o narcísico STF finge ser um tribunal, e se entrega a casuísmos inadjetiváveis.

E você finge que não tem nada a ver com isso.