Golpe sem Candidato

Enquanto o Brasil retroage 20 anos em 2, e volta a matar crianças de fome, o risonho Capital Financeiro apenas não está plenamente feliz porque lhe falta um marionete vendável.

A falta de um nome que sirva ao serviço sujo do Neoliberalismo se expressa em diversas leituras. Uma delas foi a fala de representante do Eurasia Group, consultoria dedicada à análise do risco político.

A Eurasia qualifica os presidenciáveis em 3 grupos, conforme a adesão ao neoliberalismo: “Reformistas”, neoliberais radicais (Alckmin, Maia, Meirelles); “Quase Reformistas” (Bolsonaro, Marina, Alvaro Dias); e “Antirreformistas” (Ciro, Lula, Haddad, Wagner).
Embora a Eurasia avalie os “Quase Reformistas” como mais palatáveis, e com mais chances eleitorais pois se apresentam com discurso antissistema, a pesquisa encomendada pela CNTI coloca todos esses nomes com, no mínimo, 46% de rejeição na população.

O Golpe precisa de um nome “novo”. Por isso frita Alckmin. Morto o Rei, vários se apresentam como novos “príncipes”. Um deles é Parente, que é bastante singular:

– Parente não declara quanto ganha da Prada Consultoria, nem quem lá são seus clientes investidores;

– Parente não declara quanto ganha na Ibovespa e na BMF; e mudaram o Estatuto da Petrobrás para o liberar da dedicação exclusiva, e permitir esse “extra-teto”.

E esse mesmo Parente se apresenta como presidenciável, e diz que “abriu a caixa preta” da Petrobrás, e a fez lucrar. Não importa que o lucro seja maquiado, pois se deu com vendas de ativos. Nada, aliás, importa. Parente, assim como outros rivais, é representativo do Golpe, e isso lhe basta.

Por falar em representativo do Golpe, o festejado Moro, premiado por seus amos em Nova Iorque, assim como Parente, declarou na cerimônia que não houve sequer ameaça de ruptura institucional da “democracia brasileira”.

Em outros eventos, na Europa e nos EUA, Moro e o Barroso anti-Estado (existem muitos “Barroso”; é bom identificar), já declararam o mesmo. E o fizeram porque a “democracia brasileira” está sob questionamento, aqui e lá fora.

Diferentemente desses juizes do Golpe, analistas do Capital, que geralmente sabem das coisas, apenas usaram de eufemismo, mas pintaram o quadro, no “Valor” dessa 4a, 16 de maio:

As verdadeiras causas da alta dos juros do mercado financeiro, que prosseguem estratosféricos apesar da queda da Taxa Selic, é a incerteza eleitoral aliada à “baixa institucionalidade da democracia brasileira”.