13 de Maio: A história que a história não conta

O contexto histórico da abolição da escravatura no Brasil já foi tema de diversos sambas-enredo no carnaval carioca.
 
No carnaval de 1989, os compositores Niltinho Tristeza, Preto Jóia, Vicentinho e Jurandir nos brindaram com um dos sambas-enredo mais bonitos de todos os tempos:
“Liberdade, liberdade!
Abra as asas sobre nós
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz
(..)
Pra Isabel, a heroína
Que assinou a lei divina
Negro, dançou, comemorou o fim da sina”
 
Opa, apesar da linda melodia, temos um “problema aí”…
 
No carnaval de 1988, tivemos dois belíssimos sambas-enredo. Os versos do primeiro foram eternizados na voz de Jamelão, no vice-campeonato da Mangueira:
“Será que já raiou a liberdade
Ou se foi tudo ilusão
Será, que a lei Áurea tão sonhada
Há tanto tempo assinada
Não foi o fim da escravidão
Hoje dentro da realidade, onde está a liberdade
Onde está que ninguém viu
(…)
Pergunte ao criador
Quem pintou esta aquarela
Livre do açoite da senzala
Preso na miséria da favela”
 
O segundo teve como enredo “Kizomba, Festa da Raça”: da lavra do mestre Martinho da Vila e letra do saudoso Luiz Carlos da Vila, entre outros. Em 1988, a Vila Isabel conquistou o seu primeiro título:
“Valeu Zumbi
O grito forte dos Palmares
Que correu terras céus e mares
Influenciando a Abolição”
 
“Peraí”, os versos desses dois sambas-enredo me parecem mais coerentes!
Em 2019, a Mangueira foi campeã. O carnavalesco Leandro Vieira foi o protagonista do inesquecível enredo “Histórias Para Ninar Gente Grande”::
“Brasil, meu nego
Deixa eu te contar
A história que a história não conta
O avesso do mesmo lugar
Na luta é que a gente se encontra
(…)
Brasil, o teu nome é Dandara
E a tua cara é de cariri
Não veio do céu
Nem das mãos de Isabel
A liberdade é um dragão no mar de Aracati”
 
A Conclusão que chego é que:
“Desde 1500 tem mais invasão do que descobrimento
Tem sangue retinto pisado
Atrás do herói emoldurado
Mulheres, tamoios, mulatos
Eu quero um país que não está no retrato”
 
Em razão disso, o locutor do estádio Jornalista Mário Filho (Maracanã) informa: substituição no escrete canarinho!
 
Saí Princesa Isabel – “camisa” 13/05
Entra Zumbi dos Palmares – “camisa” 20/11.