Normando Rodrigues Advogados

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28 de November de 2025

PEC Antifacção é exemplo de como a direita defende criminosos

Por: escritorionr

O chamado Projeto Antifacção, aprovado na Câmara algumas semanas atrás, é um exemplo cristalino do ethos da direita brasileira — uma gente que, definitivamente, não costuma valer aquilo que o gato enterra.

Em uma clara tentativa de impor uma derrota política ao Governo Federal, os parlamentares da aliança centrão-fascismo aproveitaram o contexto para também tentar impor um freio às movimentações da Polícia Federal, que se aproximavam de forma perigosa de seus feudos eleitorais e econômicos.

Especialmente daqueles que, sabidamente — segundo a “boca miúda” de Brasília — mantêm ligações diretas com territórios dominados por milícias e pelo crime organizado em geral, ambiente no qual a extrema-direita nada de braçadas.

A proposta apresentada pela direita é um verdadeiro frankenstein legislativo: enfraquece o que o governo propôs no combate à lavagem de dinheiro, flexibiliza o controle de armas de fogo e compromete o enfrentamento aos vários tentáculos do crime organizado.

A tentativa de retirar recursos da Polícia Federal e de dificultar investigações da Receita Federal não pode ser classificada apenas como ignorância. Não depois da deflagração da maior operação já realizada contra o PCC, que ligou de forma direta o crime organizado ao coração financeiro da Faria Lima. Sem dar um único tiro, a Polícia Federal atingiu uma vértebra estratégica de uma das facções mais poderosas do país.

Aliás, a diferença entre essa operação cirúrgica da PF e a chacina protagonizada pela Polícia Militar do Rio de Janeiro expressa, de forma brutal, a divergência fundamental entre os projetos da extrema-direita e da esquerda quando o assunto é segurança pública. De um lado, inteligência, investigação, estrangulamento financeiro e enfrentamento estrutural das organizações criminosas.

Do outro, espetáculo de violência, balas perdidas, corpos negros no chão e zero impacto real sobre as engrenagens do crime.

O Projeto Antifacção, portanto, não é apenas uma manobra oportunista contra o governo Lula — é também uma tentativa deliberada de blindar interesses que prosperam na sombra da ilegalidade. Trata-se de uma sabotagem institucional que enfraquece o Estado justamente onde ele mais tem sido eficaz: no rastreamento do dinheiro sujo, na asfixia financeira das facções e na responsabilização dos verdadeiros mandantes do crime.

O que está em disputa, no fundo, não é apenas um projeto de lei, mas dois modelos antagônicos de sociedade. Ou fortalecemos as instituições republicanas, a investigação qualificada e o combate ao crime em suas raízes econômicas e políticas, ou seguimos reféns de um modelo de segurança pública pautado pelo extermínio seletivo, pela proteção dos andares de cima e pela eternização do massacre nos de baixo.

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