Normando Rodrigues Advogados

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8 de maio de 2023

A gravata e a gargalheira

Por: Normando Rodrigues

Muitos não entenderam porque o ato de Janja comprar uma gravata para Lula é um escândalo capaz de abalar a moralidade administrativa do governo.

Não se trata apenas de fazer oposição a Lula. Claro, são extremamente convenientes aos milionários brasileiros infinitas oposições a Lula, sobretudo quando Lula desafia os interesses da sagrada pátria dos milionários, os EUA.

A questão a ser desvelada com holofotes e microscópios é que, como demonstrado já no mensalão, a pulsão de morte exercitada contra Lula legitima qualquer instrumento de oposição, por mais animalesco e irracional que seja.

Assim, foi tolerado que Agripino Maia gritasse no Senado a necessidade de “acabar com essa raça” (no melhor estilo do fascismo alemão), e é tolerável o pedido de impedimento mal-fundado na cogitação de que um “sequestro” armado contra o armamentista Mister Moro seria uma armação. Pedido armado pelo deputado autodenominado príncipe de Orleans e Bragança.

Tolerou-se a inesquecível e grandiloquente via crucis durante a qual Lula foi por 580 dias prisioneiro de semiletrados juiz e acusador, amantes do dinheiro e movidos por ambições político-partidárias e financeiras, nas palavras do neo-intolerante Gilmar Mendes.

Tolera-se o fascismo, o racismo, a misoginia, a homofobia e cada ratazana que sai à luz do sol vinda desses esgotos. Tolerou-se o golpe de 2016, a tentativa de golpe de 8 de janeiro, e eventual ditadura subsequente. Se sangrenta, melhor, a fim de “acabar com essa raça”.

Tolera-se o assalto ululantemente óbvio da família Bolsonaro a tudo o que de público consigam colocar no bolso, no caminhão de mudanças e na conta bancária, sem o menor receio de que a combativa (contra Lula) mídia hegemônica venha a chamar o assalto de assalto.

Tolera-se o casamento entre o milionário político bolsonarista de 65 anos e a comprada adolescente de 16, ao preço da nomeação da mãe vendedora, em cargo público. E se o faz com a mesma tolerância consagrada aos playboys dos anos 70 que raptavam, estupravam e matavam meninas de 7 anos, certos da impunidade garantida pelos pais-fundadores da Ditadura.

A verdade é que Lula é combatido para além do limite da racionalidade devido ao simples fato de representar a classe social que, embora majoritária no Brasil, é minoria política.

Essa classe, majoritário-minoritária, não pode usar gravata. Em seu pescoço melhor cabe a gargalheira de ferro dos escravos, seja ela visível ou não.

E melhor lhes cabe a gargalheira do que a gravata, porque a própria existência de milionários, enquanto milionários, depende essencialmente da maioria continuar a ser minoria.

Daí o feroz vale tudo e a prostituída tolerância.

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