Normando Rodrigues Advogados

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16 de junho de 2023

Aleijão moral

Por: Normando Rodrigues

Dia do Orgulho Autista, 18 de junho: de que modo convivemos com diferenças, transtornos e doenças cuja mera existência resulta em afronta estética ou comportamental aos hipócritas valores dominantes?

Para essa e muitas outras indagações o fascismo tem resposta fácil: políticas públicas de esterilização forçada e de eutanásia compulsória dos “retardados”, assim classificados os autistas.

Como no caso do genocida Bolsonaro perante a Covid-19, a “justificativa” surge da mesma conjunção entre afirmação ideológica (“pureza da raça”; “só morrerão pobres”) e pseudorracionalização neoliberal (“são pesos mortos para a sociedade”; “salvar a economia”).

Essa é a lógica da empresa de saúde privada campeã de reclamações na Agência Nacional de Saúde Suplementar, a Unimed, investigada pelo ministério público por cancelar unilateralmente planos de autistas.

Foi também o que levou uma horda de adolescentes a espancar brutalmente um autista de 16 anos em escola pública de Paciência, Rio de Janeiro, em Maio. Os 6 agressores físicos foram incentivados por uma multidão de outros alunos aos gritos e aplausos.

O combate a todo tipo de discriminação é um objetivo fundamental da República (Constituição, 3°, IV) e demanda ações efetivas e não meros discursinhos lavajatistas. Tomemos o caso de Mister Moro, em tese senador da mesma República e não da de Curitiba, apenas para rápido exemplo da falsídia reinante.

Quando ministro do mito fascista, Mister Moro mandou investigar autodeclarados humoristas que fizeram piadas criminosas sobre autistas. Mais adiante, candidato ao senado, celebrou o Dia Mundial da Conscientização Autista, 2 de abril. Note-se que, passadas as eleições, no 2 de abril deste ano Moro ficou em silêncio sobre a data.

Porém, ainda no governo Bolsonaro, Mister Moro endossou o corte de mais de 70% da verba destinada à saúde de pessoas com deficiências em 2020; a extinção do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência; e a criação de escolas apartadas, para segregar e impedir a socialização dos diferentes.

No fundo foram práticas características de Mister Moro, que se referia a uma pessoa sem um dos dedos como “naine”, do mesmo modo com que a antiga crueldade infantil chamaria um autista de “retardado”.

Agora esse aleijão moral chamado Mister Moro e sua pupila Ctrl+C/Ctrl+V, terão que dar conta de 2,9 bilhões de reais, fortuna que antes destinaram a uma fundação que seria gerida pelo criminoso Dallagnol, e que se descobriu desaparecida na 13ª Vara Federal de Curitiba.

O irônico é que só se soube do desaparecimento do dinheiro graças às denúncias da “festa das cuecas” do Senador.

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