Normando Rodrigues Advogados

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22 de maio de 2023

“Vai pro tribunal de Nurembergue desse jeito”

Por: Normando Rodrigues

Existiu no governo fascista brasileiro um ex-coronel, ainda solto, chamado Elcio Franco.

O até agora solto, Franco foi o número 2 do genocida Pazuello no Ministério da Propagação do Vírus e já se fizera conhecido no escândalo da Covaxin.

Nosso personagem, até o momento solto, ressurgiu no noticiário policial como autor de conselhos ao então comandante do Exército, na tentativa de convencer o general Marco Antônio Freire Gomes a aderir a um golpe de estado bolsonarista, há apenas 5 meses.

Em texto dirigido ao já preso ex-major Ailton Barros (expulso do Exército em 2014 por conduta desonrosa e diretamente ligado a Bolsonaro), o presentemente solto Franco explicava que o general deveria superar os medos de ser futuramente responsabilizado, pois bastaria invocar a desculpa padrão dos fascistas alemães perante o Tribunal Militar Internacional, em 1945: “eu apenas cumpri ordens!”

“Vai pro tribunal de Nurembergue desse jeito: ‘Depois que ele me deu a ordem por escrito, eu comandante da Força, tive que cumprir’. Essa é a defesa dele”.

No entanto, o artigo 359-L do Código Penal define o crime de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, ou de impedimento ou restrição do devido exercício dos poderes constitucionais, como pretendia o decreto de Anderson Torres contra o TSE. Isso sem exceções a quem “cumpre ordens”. E o por enquanto solto Elcio Franco será aí enquadrado.

Como o golpe urdido pelo momentaneamente solto Elcio Franco e seus asseclas visava impedir a posse do presidente legitimamente eleito, o indivíduo se terá envolvido também no crime de tentativa de deposição, constante do artigo 359-M, do mesmo código.

Da mesma forma será examinada a conduta do até então solto Elcio Franco por associação criminosa, tipo penal descrito no artigo 288, sempre do Código Penal, o qual justifica a manutenção da prisão do já citado meliante Anderson Torres, e de muitos outros.

Elcio Franco, ocasionalmente solto, no mínimo estará no rol dos planejadores e financiadores consortes do brancaleônico golpe fascista, junto, por exemplo, às deputadas Sílvia Waiãpi e Clarrissa Tércio e aos deputados Abílio Brunini e André Fernandes, este último o genial requerente da criação da CPMI que o pode cassar.

Se o protopresidiário Franco estudasse história, saberia que em Nurembergue a desculpa dos fascistas alemães não livrou da forca os pescoços do general Jodl, chefe de operações das forças armadas, nem o de seu superior, o marechal Keitel, chefe do alto comando das mesmas forças.

Mas estudar história, em livros com “um montão, um amontoado, muita coisa escrita”, não é hábito de fascista.


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