Vencemos!

A gente anda assim apalermado, saindo de uma caverna de quatro anos de lonjura.

E a gente sai cuma fragilidade assim de raíz de muda, de broto incipiente exposto na pele nua, que toma sol pela primeira vez.

Mas saímos… e trazemos nas costas e no fundo dos olhos, os sonhos e medos dos que não saíram.

Saímos. Só porque nós é terra entre os dedos do pé descalço, é unha encardida de tanto catar fruto, é árvore rugosa que não tomba.

Saímos. Porque nós é som, muitos sons da mata, de tudo que é bicho.

Sons que alertam, lamentam e vingam.

Saímos. Porque nós é cada curumim nascido deformado pela prata líquida de quem não tinha nunca que estar ali.

Saímos. Porque nós é cada guerreiro morto, cada cunhã prostituída, cada flecha que se despedaçou contra o aço cru do trator devorador.

Saímos. Porque nós é a floresta que devora o trator.

E nós vencemos.